sexta-feira, 7 de agosto de 2009

O tempo

(SEQUÊNCIA “POEMAS-TEMPO” – SEM TÍTULO)

quem tem olhos pra ver o tempo soprando sulcos na pele

soprando sulcos na pele soprando sulcos?



o tempo andou riscando meu rosto

com uma navalha fina


sem raiva nem rancor

o tempo riscou meu rosto

com calma


(eu parei de lutar contra o tempo

ando exercendo instantes

acho que ganhei presença)


acho que a vida anda passando a mão em mim.

A vida anda passando a mão em mim.

Acho que a vida anda passando.

a vida anda passando.

acho que a vida anda.

a vida anda em mim.

acho que há vida em mim.

a vida em mim anda passando.

acho que a vida anda passando a mão em mim


e por falar em sexo quem anda me comendo

é o tempo

na verdade faz tempo mas eu escondia

porque ele me pegava à força e por trás

um dia resolvi encará-lo de frente e disse: tempo

se você tem que me comer

que seja com o meu consentimento

e me olhando nos olhos



acho que ganhei o tempo

de lá pra cá ele tem sido bom comigo

dizem que ando até remoçando [...]

Viviane Mosé


Esse poema foi retirado do livro "Pensamento Chão" de Viviane Mosé, quero comprá-lo tão logo seja possível $. Ela escreve de uma forma muito bonita sobre essa nossa relação inevitável (consentida ou não) com o tempo.

Site da autora:

http://www.vivianemose.com.br/

Visite que vale muito a pena conhecê-la.

Um comentário:

Juleide Miranda disse...

Oi querida obrigada pela visitinha no meu blog, vi q vc é pedagoga..eu estou no 1 ano de pedagogia...rs
Bjos...me visita sempre hein...t+